domingo, outubro 09, 2005

O melhor momento televisivo da noite eleitoral

é, sem dúvida, até à presente hora, o discurso de João Soares. Não pelos seus dotes oratórios, que não são de desprezar, mas pela tradução simultânea em linguagem gestual feita por uma incansável senhora que estava ao seu lado. Nunca um discurso político foi tão expressivo e tão eloquente como este. Oxalá a moda pegue.

sábado, outubro 08, 2005

Angola

Há dias em que até o Gabriel Alves tem razão

Ricardo: três intervenções, três asneiras. Felizmente, só uma deu golo, caso contrário ainda estaríamos a fazer contas para o apuramento.

Pedro e Inês

Uma e outra vez dou o benefício da dúvida a Moita Flores. Não falo do candidato a presidente da câmara de Santarém, mas do autor de séries de ficção para a televisão pública portuguesa. Pedro e Inês tinha tudo para ser um sucesso. Uma história mítica da nossa História, impressa no código genético dos portugueses e envolvendo simultaneamente um drama amoroso da alta sociedade e intrigas palacianas. Uma aposta forte da RTP, nomeadamente em termos orçamentais. Um bom leque de actores (apesar da Ana Burstoff, que, como já nos habituou, faz de... Ana Burstoff). Um bom guarda-roupa. Boa música. Acesso a bons décors. Mas... infelizmente, ficamos por aqui.

Visto o primeiro episódio, só me apraz dizer que, lamentavelmente, esta nova aposta da RTP representa, mais uma vez... mais do mesmo. Diálogos execráveis (quantas vezes confusos e difíceis de acompanhar - veja-se a primeira cena, um monólogo em off de alguém que nos pretende dar uma lição de história, sem perceber que a ficção televisiva não é propriamente uma sala de aula), num híbrido entre a linguagem coloquial contemporânea e o que se julga ter sido a linguagem coloquial medieval. O resultado traduz-se em conversas surrealistas em que as personagens, portuguesas ou castelhanas (ou mesmo sarracenas), falam todas o mesmo português, insistindo, todavia, em tratar-se sempre (ou quase sempre, escapa-se o rei) pela segunda pessoa do plural. Presunçoso e lamentável.

Depois há as cenas perfeitamente escusadas, tão típicas na ficção televisiva portuguesa - as chamadas cenas para encher chouriços. É o caso da cena em que o príncipe Pedro salva um frade do ataque de salteadores para depois se rir das queixas que o clérigo faz do rei e, enfim, partir na sua cavalgadura deixando o pobre homem à mercê de outros prováveis ataques. Para quê, pergunta-se. Em que é que isto contribuiu para o avanço da narrativa? Para caracterizar o espírito bondoso de Pedro? Mas, nesse caso, porque deixou o homem no meio do mato outra vez? Alguém percebe? Eu não.

Depois a realização. É verdade que sem um bom argumento, é difícil conseguir um bom resultado final. Mas, enfim, na rodagem e na sala de montagem, ainda se podia atenuar um pouco esse efeito. Mas não. O que acontece em Pedro e Inês é precisamente o inverso disso. O que acaba por ser coerente, na medida em que não destoa da base do projecto. A realização, diga-se, é má, muito má. Por alguma razão (eventualmente por provincianismo, para mostrar a «qualidade» da produção) o realizador opta por recusar planos aproximados dos actores, substituindo-os por planos mais afastados que mostrem este ou aquele pormenor do décor. Tal acontece em praticamente todas as cenas, o que retira intensidade dramática às cenas que a deveriam ter, bem como a necessária identificação com os protagonistas. O resultado é uma pastelice pegajosa em que o telespectador se vê obrigado a lutar contra o sono para acompanhar o desenvolvimento da acção, sem nenhum envolvimento emocional com as peripécias daquelas personagens.

Mais ainda (e isto é comum nas produções portuguesas, mas esperava-se que nesta não fosse), a pobreza franciscana da figuração. Não se arranjava mais gente para receber a noiva de Pedro, enviada por Castela? Era assim tão pobrezinha a corte portuguesa? Era assim tão pouco importante a recepção à noiva do herdeiro do trono de Portugal?

Para rematar. Há pouco falava de peripécias das personagens. Mas a verdade é que não as há. Neste primeiro episódio nada mais se passa do que a chegada da princesa castelhana prometida a Pedro, a qual vem acompanhada da sua aia, Inês de Castro. Entre esta e Pedro nada se passa, a não ser na penúltima cena, em que (julgo eu, confesso que nessa altura já quase dormitava) o princípe vê a aia no jardim (é possível que tenham trocado algumas palavras, empregando a segunda pessoa do plural, mas não posso ter a certeza) e esta foge para os seus aposentos para, aqui, já na última cena, mostrar-nos a sua excitação pelo contacto com Pedro. E depois, zás, avançam os créditos. Belo gancho, não há dúvida. Pergunto-me se alguém neste país terá ficado em pulgas para ver o segundo episódio. Quanto a mim, só estou em pulgas para que Moita Flores ganhe as eleições em Santarém. Seriam quatro anos de sossego para os nossos pequenos ecrãs.

quinta-feira, outubro 06, 2005

Digo eu

O Caetano tem uma belíssima voz.
O Caetano tem algumas canções interessantes.
Não obstante o observado anteriormente, o Caetano é, muitas vezes, confrangedoramente fastidioso.

terça-feira, outubro 04, 2005

Ainda o marketing político

Era tão fácil mudar a cor política da autarquia lisboeta.
Pois era, mas agora é tarde.

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Agora, já nem com a Jackeline lá vão.

Por falar em marketing político...

...e sem querer sugerir (e muito menos advogar) qualquer viragem para um certo compositor grego cujo nome começa por V e faz vagamente lembrar o vocábulo angélico, não poderia a CDU mudar a música? Ou, pelo menos, evitar bombardear as ruas de Lisboa com aquela mesma melodia distorcida? É que já não há pachorra...

Isaltino resolve?

No actual momento vivido pelo Sporting, as opções da equipa de marketing de Isaltino Morais são, no mínimo, duvidosas.

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Já agora, dão-se alvíssaras a quem conseguir identificar a menina das calças verdes que aparece em todas as imagens televisivas de Isaltino. Será sobrinha do candidato?

sábado, outubro 01, 2005

Ao contrário da senhora abaixo

a minha decisão ainda não vai para as putas. Para já, Sá Fernandes. Mais à frente, a confirmar-se a candidatura, Manuel Alegre.

Longe vão os tempos em que se erguia o punho fechado

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sexta-feira, setembro 16, 2005

Que grande ordinário!

Palavras de Carmona sobre Carrilho após este recusar-se a cumprimentá-lo no fim de um debate profícuo em troca de insultos... Palavras para quê? Para que se possa perceber quão extraordinária é a política portuguesa.

quarta-feira, setembro 14, 2005

A pergunta vem sempre depois da resposta

Respostas comuns

Às vezes temos tanto para dizer que não conseguimos dizer nada.

sábado, agosto 27, 2005

Silly Season

«Quem nos faltou ao respeito foi o dr. Jorge Sampaio, que recebeu oficialmente, na Presidência da República, os U2 como se os tivesse convidado para jantar em sua casa. Os U2 não deviam comparecer naquela cerimónia vestidos daquela forma pela mesma razão que não era suposto que o Presidente da República os recebesse vestido para jogar golf.»

(Helena Matos, Público, 27-8-05)

Argh... Com licença. Vou vomitar, já venho.

quinta-feira, agosto 18, 2005

Pauleta

Estou-me cagando. Para ele. Para o que ele representa para os Açores, para Portugal, para o queijo flamengo ou para o raio que o parta. O mesmo para o Figo. E para os outros todos. Já quanto ao Gabriel Alves, parece-me que o homem merece uma estátua. Num país cuja mais profícua produção são os imbecis e estando muitos deles a banhos de momento, o inenarrável arcanjo da televisão pública portuguesa arrisca-se a ser tomado pela matriz de toda a escória.

O fósforo

O país arde. Metaforica e literalmente. O primeiro-ministro goza férias no Quénia (regressou agora, imagino que feliz e contente consigo próprio). Os bancos aumentam os lucros em quase 40%. O desemprego já vai em mais de 7%. O IVA nos 21. A inflação sobe, o poder de compra da generalidade dos portugueses desce. E enquanto tudo arde, o país (o que ainda pode) vai a banhos para o Algarve. Como se não se passasse nada. Como se o país não ardesse.
O país arde como um fósforo e nós continuamos à espera que Sócrates, Soares ou Cavaco se dêem ao trabalho de soprar para apagar o fogo. Quanto a nós, estamos demasiado ocupados (e habituados) a não fazer nada.

sexta-feira, agosto 12, 2005

Ouvido anti-matemático

Quando a tarola digital certeiramente programada parece entrar umas fracções de segundo atrasada.

Tal é o sucesso

quarta-feira, agosto 10, 2005

The day after

Um ano completado ontem.

segunda-feira, agosto 08, 2005

Movimento 560

Para quem conta os trocos para sobreviver, nada como ir aos chineses.
Para quem ainda tem algum poder de compra, esta é uma boa ideia!

quinta-feira, agosto 04, 2005

17 minutos para 17 frases e um título

1. Sem férias.
2. Quase sem pausas.
3. Sem medos, para além do pânico habitual.
4. Com riscos.
5. Muitos riscos cruzados e esboços riscados.
6. Muitas imagens passando velozmente, umas que param e ficam.
7. Outras que desaparecem.
8. E as dúvidas.
9. Tantas dúvidas.
10. Tantas vezes que releio, e em cada uma delas apreendendo um sentido diferente nas palavras que escrevi.
11. Quando não acontece simplesmente olhá-las e ver o vazio...
12. E depois perceber que quão mais prosaica é a vida, menos suportável é a poesia.
13. Mas não.
14. Não voltarei atrás.
15. Abri demasiado o olhar para que agora o possa fechar.
16. Não posso senão continuar.
17. Ainda que me arda a poeira nos olhos.

terça-feira, agosto 02, 2005

Luz ao fundo do túnel

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quarta-feira, julho 27, 2005

O grito