quarta-feira, agosto 11, 2004

Santana, Pinto da Costa e o Iraque

Enquanto Portugal vai a banhos, seja nas praias ou nos superlotados shoppings algarvios, e os media esfregam as mãos com o caso das cassetes e a demissão de Adelino Salvado e de sete dos dez directores da PJ, há uma notícia muito preocupante que vai passando no alinhamento dos noticiários no meio da actualidade internacional, mas que não deixa de ser tratada e recebida com algum distanciamento pelas gentes cá do burgo. Refiro-me aos atentados de Istambul, já reivindicados por dois grupos: um ligado à Al-Qaeda, outro (quiçá, aproveitando a boleia) por um recém-formado grupo separatista curdo. Se o verdadeiro responsável pelos atentados for este último, poder-se-á pensar que não há razões para grande alarme. Mas se se verificar a primeira hipótese e os atentados tiverem sido, de facto, cometidos pela rede de Bin Laden, não podemos deixar de nos preocuparmos com a ameaça que o dito grupo mantém sobre os países com tropas colocadas no Iraque. É que Portugal ESTÁ na lista. E, francamente, não querendo arvorar-me em profeta da deesgraça, eu não me sinto seguro. E julgo que nenhum de nós está seguro. Até, porque, ao insone Santana (consta que nem o uso de barbitúricos o tem ajudado) não se ouviu uma única ideia clara sobre segurança. Pior, ainda não se lhe ouviu uma ideia clara sobre o que quer que seja. Ok. Concedo que o homem ainda não teve tempo. Primeiro foram as rocambolescas peripécias da formação do Governo e respectiva tomada de posse. Depois foi o mais extraordinário processo de descentralização de que há memória. E agora o melindroso caso da Justiça, que veio obrigar o PM a adiar mais uma vez as suas férias para, numa brilhante pose salomónica, propor um acordo de regime que, de uma vez por todas, resolva os problemas que afectam a dita. Mas, não será tempo de se saber como é que o nosso digno PM pensa zelar pela segurança dos portugueses? Terá o responsável pelo nosso envolvimento na estúpida guerra do Iraque (antes de se intalar no cadeirão de Bruxelas), deixado indicações precisas sobre o que fazer, ou terá Santana ideias próprias sobre essa matéria? Por quanto tempo, caro PM, vamos manter os militares portugueses no Iraque? Formulando melhor a pergunta: será preciso passarmos pelo mesmo que os nossos vizinhos espanhóis? Olhe que agora, já nem sequer temos as FP-25 para bode expiatório. E nem sequer lhe valerá escudar-se com as decisões do anterior Governo, que por esta hora já o Durão Barroso da fotografia não existe. Quem existe agora é o José Manuel Barroso da Comissão e que nada tem a ver com aquele (desta nem o Estaline se lembraria!). Quando a bomba cair rebenta-lhe nas mãos. Nas suas mãos e nos nossos corpos. E nos dos nossos amigos ou familiares. Ouça, Santana, aceita um conselho? Você, que é um homem do futebol, vá falar com o seu amigo do FCP. Ele explica-lhe como se emenda um erro a tempo...