quinta-feira, outubro 07, 2004

Assassinos

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Um soldado israelita matou uma menina de 12 anos na Faixa de Gaza, alvejando-a por 20 vezes na cabeça, no peito e nas pernas. Segundo fonte do exército israelita, a menina, que envergava o uniforme escolar, terá penetrado, juntamente com duas colegas, numa zona fechada, pelo que «teve que ser abatida».
Desde que a operação «Os Dias da Penitência» teve início, há uma semana, como resposta a um ataque do Hamas, o exército israelita já matou 25 crianças palestinianas. Os EUA, por sua vez, inviabilizaram a aprovação de qualquer moção condenatória a esta acção israelita.

Ao contrário do que aconteceu em Beslan, a chacina das crianças palestinianas desperta pouca compaixão por parte da opinião pública ocidental. Não merecem notícias de capa nos jornais nem de abertura nos noticiários televisivos. Aparentemente, as crianças muçulmanas têm menos direito à vida do que as outras. Depois espantamo-nos e indignamo-nos com os atentados terroristas perpetrados por fundamentalistas islâmicos contra o ocidente. Esquecemo-nos que são actos como este (mais próprios das ditaduras do século passado do que das democracias modernas) que fomentam o ódio à nossa civilização (dita «avançada») e semeiam o radicalismo junto das populações árabes e/ou islâmicas.

A cegueira tem um preço elevado. O terrorismo não será vencido sem que se combatam as suas causas. Homens como os da fotografia não podem ficar impunes. Eles são os rostos do crime. E nós, todos nós, todos os que assistem impávidos à escalada da violência, somos seus cúmplices por omissão.

A Gin, referindo-se à questão do Iraque, pergunta «se não seria possível um grupo de cidadãos levar ao Tribunal Internacional uma queixa contra os responsáveis dos países da coligação que procederam à invasão de um país soberano». Como ela, também não sei. Principalmente, porque, como se sabe, os EUA colocam-se acima de quaisquer convenções internacionais. Mas não tenho dúvidas de que a consumação dessa hipótese se traduziria num salto civilizacional extraordinário para a humanidade. O dia em que conseguirmos sentar na barra do tribunal os homens mais poderosos do mundo, por crimes contra a humanidade, será o primeiro dia de verdadeira democracia no mundo. Até lá, continuaremos a ser governados por assassinos.