sábado, novembro 06, 2004

Aplauso

"(...) não conseguia mais apoiar George Bush. Por estas quatro razões: as inexistentes ADM [armas de destruição maciça], os casos de Guantánamo e Abu Ghraib, o Patriot Act e a política iraquiana.
(...) E não é preciso «virar à esquerda» para tomar esta posição.
(...) Embora tenha sido sempre considerado um «bushista» pelos palermas do costume, não simpatizo de todo com a ala do partido Republicano que tem vindo a ganhar peso com este presidente. A direita religiosa e os neoconservadores messiânicos, nomeadamente.
(...) Mas falta acrescentar alguma coisa. A saber: a minha recusa de toda a presunção (ou coacção) no sentido do pavlovianismo ideológico. Sou assumidamente de direita (mais exactamente um conservador); mas isso não implica que apoie e defenda todos os políticos ou todas as políticas de direita. Conheço o espaço político em que me situo, mas considero-me totalmente independente. E livre de criticar ou discordar sempre que me pareça que é caso disso. Sob pena de ter que bater sempre palmas ao actual Governo, mesmo quando dá provas de incompetência. De fingir que não há nada de errado na situação monopolista de Berlusconi. De apoiar o desprezível Chirac apenas porque, ei, ele é de direita. Nem pensar nisso."

(Pedro Mexia)


A lucidez é sempre louvável. A coragem de a assumir no meio de um debate estupidificado ainda mais o é. É bom saber que no campo ideológico adverso ao meu, há ainda quem pense. É sinal de que há interlocutores no outro lado. De que podemos dialogar e encontrar entendimentos. De que há uma esperança para a Política, no reino da politiquice.