segunda-feira, novembro 01, 2004

Insulto aberto a um «intelectual»

Por alguma razão de ordem informática, não estou a conseguir publicar um comentário a um post do Pedro Oliveira, comentário no qual pretendia insultar um senhor historiador e investigador que dá pelo nome de Rui Ramos, sujeito que desconheço totalmente, para além do artigo que publicou no jornal Público na sexta-feira passada, defendendo o voto americano em George W. Bush. Como não consigo publicá-lo lá, publico-o aqui. Cá vai:

Não compro a ideia de que Rui Ramos seja um intelectual. A doentia incapacidade de se outrar é reveladora de isso mesmo. RR assenta toda a sua ideologia num discurso dogmático, numa one way street, sem saídas, sem bifurcações, sem possibilidade de inversão de marcha e atropelando qualquer obstáculo que se lhe depare pela frente.

O extremismo das suas posições (e das dos falcões em geral) em nada fica a dever ao extremismo dos fundamentalistas islâmicos. São apenas as duas faces da mesma moeda. Alimentam-se de dogmas, sistemas de pensamento fechados e parcialmente cegos, na medida em que recusam a possibilidade da existência de realidade para além daquilo que conseguem ver. Vivem em «mundos perfeitos», onde os «seus» são infinitamente bons e os «outros» infinitamente maus. O que é estranho. Pois a ideia de infinitamente bom só se aplica à ideia de Deus e a de infinitamente mau à ideia do Diabo. E só numa visão altamente sectária do mundo e das pessoas se pode inferir que uns são a encarnação de Deus e outros do Diabo.

Consequentemente, RR arroga-se de compreender a realidade como se de um iluminado se tratasse, quando diz que «quem não compreendeu isto, nunca compreenderá nada».

Não discutirei aqui a (in)validade dos seus argumentos. Até porque é desnecessário fazê-lo. Por um lado, porque houve já quem o tenha feito. Por outro, porque, felizmente, para a maioria das pessoas é visível a olho nú o fanatismo e a cegueira de indivíduos como RR.

Apenas lhe digo que tivesse eu o espírito tão atrofiado por messianismos medievais como o seu parece estar, facilmente o colocaria no lote dos «maus». Porque a defesa da guerra, da usurpação, da intolerância e do domínio violento sobre os outros está para o meu código de valores claramente associada à ideia de «mal». Ou seja, eu seria um representante de Deus na Terra. RR seria a encarnação do Diabo. No fim, seria ainda capaz de dizer que RR é um filho da puta nazi e que «quem não compreendeu isto, nunca compreenderá nada».

Poupo-lhe, no entanto, esta visão redutora, porque acredito que, lá no fundo, o RR há-de ter um lado bonzinho e porque, conhecendo-me, sei que eu próprio nunca poderia estar no lado do «bem infinito».

O que me preocupa é que uma forma de pensamento tão linear tenha acesso a um jornal de prestígio como o Público. E ocorre-me algo que um antigo professor de História dos meus tempos de liceu me disse e que nunca mais esqueci. O processo mais lento da história é o da mutação das mentalidades. De facto, isto parece fazer todo o sentido quando, em pleno século XXI, ainda se publicam opiniões de supostos intelectuais defendendo ideologias com mais de mil anos.
Chegando à parte do insulto propriamente dito, aguarda-se a qualquer momento a publicação de um artigo de RR no Público defendendo o geocentrismo.

1 Comments:

Blogger JAM said...

A gravidade da situação é que, segundo parece, o tal artigo vem dum historiador. A ser verdae, o estudo da História anda muito por baixo...

Eu, pelos vistos, tive mais sorte ao enviar nada menos de que três comentários (e não insultos) ao referido artigo. Como às tantas dexei de perceber qual teria sido o verdadeiro objectivo do Barnabé ao insistir em publicitar tal artigo (há, às vezes, intenções de provocação deliberada no Barnabé, só para fazer reagir os leitores) foi este o comentário que publiquei:

Isto mais parece um jogo, uma charada. Ou melhor, uma experiência...
O Barnabé apoia Kerry. Isso já todos nós sabemos.
Agora convida um ilustre historiador para fazer uma profunda análise geopolítica da situação no Iraque para concluir que é preciso votar de novo em Bush, contra Kerry.
Depois de atirar este isco, esta pérola intelectual rara, à fúria dos seus leitores, o Barnabé adverte: Comentem, mas não insultem.
Ora, para comentar, seria preciso que o ilustre historiador tivesse feito uma verdadeira análise histórica, com base nas movimentações geopolíticas dos últimos vinte anos. Pelo menos.

Como não é disso que se trata, visto que o que nos foi apresentado não foi mais do que um tratado da mais baixa propaganda de campanha eleitoral pró-Bush, que nem o georgewbush.com seria capaz de exceder, o Barnabé só pode estar a preparar alguma experiência sociológica baseada na reação aos estímulos dos seus leitores.

9:15 da tarde  

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