sábado, dezembro 25, 2004

Citando

"O malfadado caso do "túnel do Marquês" é um verdadeiro manual de maus procedimentos a este respeito, e de desavergonhada sobreposição da teimosia individual de um político - e do seu pateticamente agrilhoado herdeiro na Câmara Municipal de Lisboa (CML) - sobre o parecer dos técnicos, os condicionalismos administrativos e, sobretudo, os imperativos ético-legais que definem o serviço público como prioridade absoluta dos decisores políticos.

A construção do túnel começou (e recomeçou) sem que tenha sido realizada uma avaliação dos riscos e dos impactes vários: hidrogeológicos, sísmicos, de segurança rodoviária, de tráfego, de desmoronamento do túnel do Metro, etc. O LNEC, o INETI e outras entidades não se pronunciaram sobre os seus riscos. Não foi feita qualquer auditoria de segurança rodoviária em fase de projecto. Não houve, até hoje, um engenheiro de transportes que, em consciência, tenha justificado a utilidade da obra. Até mesmo o próprio estudo de impacte ambiental, claramente submisso ao seu contratante, que é a CML, alerta para as paradoxais consequências da sua abertura ao público: irá induzir mais tráfego em toda a zona e provocar novos congestionamentos no Marquês. Em suma, ninguém, com qualificações técnicas e científicas, negou até hoje que o túnel seja perigoso, paradoxal, inútil e economicamente iníquo."


(Manuel João Ramos, presidente da Associação dos Cidadãos Auto-Mobilizados)