quinta-feira, janeiro 06, 2005

Declaração de desinteresse

Sirva esta declaração para que nenhum leitor volte a entrar desprevenido nesta minha Nódoa.

Não tenho bloggado muito neste novo ano. Apesar do que, à primeira vista, o título deste post possa indicar, não o tenho feito por desinteresse pela blogosfera. A razão para o meu afastamento relaciona-se, isso sim, com a sobrecarga de trabalho que tenho tido. O título do post tem, pois, a ver com outra realidade. Ou outras realidades, que passo a discriminar.

Em primeiro lugar, a cobertura mediática do tsunami (ou do marmouto como tenho tantas vezes ouvido na televisão e fora dela). Um evento destes é verdadeiramente impressionante e não é de estranhar a onda de choque que varreu o mundo e à qual eu não fiquei imune. Mas o que basta, basta. A orgia de estórias que as televisões desenrolam à volta do acontecimento é tão desnecessária quanto pornográfica. Desnecessária, porque ao fim de vários dias repletos dos mais variados testemunhos é irrelevante continuar a ouvir o relato de pessoas que viveram in loco o maremoto. Não trazem nada de novo, não são notícia. Servem apenas para fazer render o peixe mais um pouco. E fazer render o peixe siginifica tão só explorar a sensibilidade dos espectadores mais desprevenidos perante a enormidade do acontecimento. Pornográfica, porque não contribui em nada para minorar o sofrimento das pessoas atingidas pela catástrofe, apenas o desnuda. E o explora, na busca de maior audiência. É a morte do jornalismo (principalmente do televisivo) enquanto actividade séria e nobre.

Em segundo lugar, a política nacional. A elaboração das listas, as polémicas envolvendo os dois maiores partidos. Pôncio Monteiro, Cavaco Silva ou Margarida Rebelo Pinto num. Os cromos de Matosinhos, Paulo Pedroso e Helena Roseta no outro. Sobre os primeiros dispenso-me de fazer qualquer comentário. O ridículo também cansa. Sobre os segundos, só tenho a lamentar que a arquitecta não encontre neste PS motivos para com ele se envolver. Perde o PS, evidentemente. Quanto aos outros, já não há pachorra para o folclore.

Ainda na politiquice nacional: o destaque dado pelas televisões à distribuição dos cabeças de lista por cada distrito. Mas isto interessa alguma coisa? Algum deputado eleito por um determinado distrito representa de facto esse distrito? Francamente, com a excepção do deputado limiano, nunca vi ninguém a lembrar-se do seu círculo eleitoral depois de eleito.

Em terceiro lugar, o futebol: depois de um curto período de férias, eis que volta em força, logo com um Sporting-Benfica. A televisão (não me lembro qual) entende fazer da chegada do jogador Liedson ao treino do Sporting uma notícia... (OK, já é uma situação normalizada, mas que querem? Tinha-me esquecido que era assim)

Quarto e último, por agora: estando na moda a apresentação de declarações de interesse antes de um qualquer comentário positivo sobre algo ou alguém, quero também deixar aqui bem marcada a minha posição, não no que concerne ao interesse, mas ao desinteresse. Eu abomino a generalidade das figuras do governo cessante e, muito particularmente, o primeiro-ministro, que considero um verdadeiro escroque sem a mínima competência para desempenhar qualquer, repito, qualquer cargo público. Considero mesmo que ele é a mais perfeita encarnação da mediocridade que grassa na vida política portuguesa. Mas não me fico por aqui. Devo também dizer que detesto o ex-boxeur Morais Sarmento. É-me indiferente o seu passado. O que me enoja é o seu presente. Representa para mim o político cão (pobres cães, desculpem-me a metáfora), que ladra para todo o lado, marcando a sua presença ora para indicar o caminho ao rebanho, ora para prevenir e afugentar eventuais ataques ao seu pastor. Onde a metáfora não se aplica bem é à costumeira fidelidade canina. Sarmento é ambicioso e não tardará a morder a mão do dono. Ascoroso. A ministra da educação (não recordo o nome nem acho que valha a pena o esforço): é visivelmente mal formada, arrogante, presunçosa e algo imbecil. Tivesse a humildade de reconhecer que não esteve à altura das suas responsabilidades e muito se atenuaria a má imagem que deixa. Errar é humano. Não assumir o erro é estúpido. Bagão Félix: se a sua colega é presunçosa, ele é o deus da presunção. Para a história ficará (se a história não cegar) como um mentiroso. Um exemplo da publicidade enganosa ao serviço da política. O homem honrado, católico, chefe de família (da grande família portuguesa) e benfiquista ou foi uma marioneta nas mãos de Portas e Santana (o que só o desmerece) ou é um intrujão. Paulo Portas, o gato da política ou o político das sete vidas. Sobrevive a tudo airosamente, sem uma beliscadura, mesmo quando a sua hipocrisia é tão evidente que até grita. É um fenómeno. Um rapaz tão inteligente quanto perverso. Um Mefistófeles com sonhos de grandeza. Barroso, Durão ou Zé Manel: tão petulante que apetece esbofeteá-lo. O exemplo perfeito de como a política serve mais os interesses próprios que os interesses colectivos. Cavaco Silva: a súmula da arrogância e do provincianismo. Se dúvidas houvesse de Portugal continuar a ser provinciano, aí está Cavaco para as dissipar. O mais incrível é que o nível nos últimos anos desceu tanto, que Cavaco até parece um janota. José Sócrates: ainda não me convenceu, nem sei se o conseguirá. Sei que é a única alternativa possível para ocupar o lugar de Santana Lopes. Para já dou-lhe algum crédito. Não tarda que me arrependa...

E chega, por agora. Mais havia, mas fica para outro dia. Arre, que já perdi demasiado tempo com isto.

1 Comments:

Blogger Rita said...

Ah... nem sei o que dizer...
Tantos exemplos de mediocridade junta arrasam qualquer um.
Sinto-me cinzenta, e não gosto.

12:08 da tarde  

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