quinta-feira, janeiro 20, 2005

A mediocracia

Está quase tudo dito aqui, mas não é demais insistir.
É indecoroso, é vergonhoso e é criminoso o SAQUE que as elites políticas repetidamente fazem ao Estado. É inaceitável e inadmissível que se movam cruzadas contra o despesismo na administração pública, que se congelem os salários dos comuns funcionários públicos, que se corte no investimento público gerador de empregos ÚTEIS, que se asfixiem a economia, a ciência, a cultura, a educação ou a saúde com cortes orçamentais cegos, com o argumento de que é imperioso cumprir o PEC, para depois se desbaratar dinheiro público em empregos para os amigos.
E o que é mais chocante é que isto já se tornou um hábito, já é uma normalidade (para os próprios, claro, não para todos os outros), a que já nem a lei obsta. Já nem se tenta justificar o injustificável. Perante as acusações, apenas se argumenta que quem acusa fez o mesmo.
Mas não é verdade. Porque não é só o PS que acusa. Somos todos nós, que assistimos a este triste espectáculo, tão indignados quanto impotentes. E impotentes porque tudo se passa num plano diferente da nossa realidade (diria superior, mas francamente, esses senhores poderão ter mais dinheiro e mais poder que eu, mas não tenho dúvidas de que fico-lhes a ganhar em honorabilidade). Passa-se no plano dos partidos com vocação de poder, onde cada vez mais as regras de promoção dos indivíduos não se faz por critérios de mérito e competência políticos, técnicos e éticos, mas pelas suas capacidades de relacionamento com as pessoas certas e de intriguismo contra eventuais concorrentes.
A democracia está inquinada por esta gente sem valores morais, sem responsabilidade ética, sem sentido de Estado, gente que esqueceu ou nunca aprendeu que a política é uma actividade nobre, cujo objectivo deverá ser o de servir a coisa pública, não o de servir-se dela. A democracia transformou-se numa partidocracia, que é o mesmo que dizer-se mediocracia, porque quem manda nos partidos são os medíocres. Os outros, os que realmente têm uma estatura moral consentânea com as responsabilidades que se exigem aos detentores de cargos públicos, afastam-se da política por falta de oportunidades ou de estômago. E assim vamos caminhando, já não alegremente, porque já estamos todos por demais conscientes da gravidade da situação, mas pesarosamente para o abismo.
De facto, como diz o mais perfeito estereótipo da mediocracia, estamos a precisar de um «levantamento nacional», mas de sinal contrário ao que ele defende. Precisamos, isso sim, de dar um valente PONTAPÉ NO CÚ desta «geração» de políticos corruptos, incompetentes e indignos. Raios vos partam, abjectas criaturas!

2 Comments:

Blogger PF said...

Raramente o faço, mas desta vez tem msmo que ser: assino e subscrevo este post.

8:40 da tarde  
Blogger pessimista optimista said...

eu também!
amanhã vou acordar optimista.

11:24 da tarde  

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