quarta-feira, janeiro 19, 2005

O Namoro

No Bloguítica lê-se que o aplauso dado por Mário Soares ao programa eleitoral do Bloco de Esquerda é uma manifestação de namoro irresponsável. Paulo Gorjão ironiza ainda com a possibilidade de um eventual casamento entre as partes em causa.
Eu, francamente, não vejo mal nenhum no namoro, embora me pareça óbvio que o casamento estará fora de questão (mas nunca se sabe para onde pende o coração dos outros). Nem me parece que Soares seja homem para precisar de ralhetes do Paulo Gorjão (com todo o respeito, apreço e, muitas vezes, concordância que tenho pelas suas opiniões e que já tive oportunidade de lhe manifestar) ou de quem quer que seja.
Soares, do alto dos seus 80 anos e de uma vida política intensa, na qual sobressaem grandes serviços prestados ao país, sabe que já não precisa nem deve mover-se por calculismo político, mas antes tem o dever, perante os seus concidadãos, mas principalmente perante si próprio, de ser fiel à sua utopia para Portugal e para o Mundo.
O que se espera e se deseja de Soares, agora que está retirado de responsabilidades políticas activas, não é que faça o jogo eleitoral do PS, mas que aproveite a fase final da sua vida (que se deseja longa), para nos legar algo de muito maior importância que o xadrez político conjuntural: a sua ideia de sociedade ou o seu ideal de sociedade. Neste sentido, é irrelevante que seja o BE ou outro partido a apresentar as ideias que Soares também preconiza. O importante é que elas estão aí e Soares não se coíbe de as reiterar. Para nosso bem.