sexta-feira, janeiro 21, 2005

Pois não havia

De facto há que dizê-lo como aqui se disse. Louçã nesses instantes esteve mal. No fundo sucumbiu à irritação que lhe deve dar (como dá a muita gente, eu incluído) ouvir Portas falar do direito à vida. Mas seja ou não irritante, o direito de falar do direito à vida é um direito que lhe assiste e não deve ser rebatido com insinuações quanto à sua orientação sexual, mas com razões de ordem ética e moral. Porque se há, para as pessoas que são contra a interrupção voluntária da gravidez, razões éticas e morais para o serem, também há razões da mesma ordem entre aqueles que propõem a sua despenalização. São precisamente essas razões que devem ser esgrimidas, e não outras. Mas quero acreditar que Louçã já estará arrependido dessa cedência ao preconceito no calor da discussão.

2 Comments:

Blogger PF said...

Começo este comentário por agradecer a referência que faz ao "Salvos e Afogados".
Continuando, Também acredito que Louçã esteja arrependido, mas acredito ainda mais que um Homem sublima a sua condição quando reconhece o erro e pede descupla pelo mesmo. Ainda não vi o Dr. Louçã fazer tal coisa... aguardo, mas temo que seja uma espera em vão.
Concebo-me como um homem com uma formação de esquerda, mas esta postura de Louçã não é de esquerda, é patética. Como li num outro blogue (não sei precisar qual) imaginem que aquela frase tinha sido dia por um político de direita. Imaginem que aquela frase tinha sido dita pelo Portas, o Paulo, imaginem...

8:48 da tarde  
Blogger Rita said...

Para mim, que já espero quase tudo da cena política, este foi um rude golpe.

Pois não há quaisquer circunstâncias que justifiquem o que Louça disse, nem mesmo a irritação que Paulo Portas lhe possa causar.

E o que torna as coisas ainda mais graves é ser Francisco Louça representante do partido que é e, consequentemente, da ideologia que é.

Todos podemos errar, o que inclui os políticos: mas, de facto, não lhe ficava nada mal um pedido de desculpa - comportamento que, aliás, se espera de qualquer pessoa de bem.

Ficam-me, pois, duas mágoas: a de suspeitar que afinal não se identifica assim tanto com alguns dos valores que defende publicamente e o confronto com a ausência do tal pedido... de desculpa.

5:14 da tarde  

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