quarta-feira, fevereiro 02, 2005

Assumir a responsabilidade

Nestes estranhos dias que vivemos, há uma dúvida que quaisquer ouvidos atentos podem captar nas conversas de rua. Consiste ela na anunciada derrota de Santana. E quem a manifesta, normalmente fá-lo com alguma preocupação, com o real receio de que, afinal, o homem até consiga evitar o que parece inevitável. Será o nosso eterno fatalismo, a tendência que temos para nos sentirmos talhados para todas as grandes desgraças que levará a que esta dúvida ainda subsista? Talvez, mas não só. Parece-me que há aqui também uma grande dose de falta de auto-confiança. E de auto-estima. Continuamos a ter dúvidas sobre a nossa capacidade de tomarmos o nosso destino nas mãos e sobre a capacidade de tomarmos as decisões certas. Continuamos a não confiar em nós próprios ainda que disfarcemos essa desconfiança atribuindo-a aos outros. Mas quem são os outros senão o prolongamento de nós? Atribuir a responsabilidade de uma eventual vitória de Santana a 20 de Fevereiro aos outros não passa de uma desresponsabilização de nós próprios. Porque todos somos responsáveis e é absolutamente imperioso que assumamos essa responsabilidade. Votando e persuadindo os que nos são próprios a votarem também. Independentemente do sentido do voto de cada um. Quanto a mim, julgo que isso basta para que Santana no dia 20 perceba o que todos já percebemos. Que o seu futuro político não existe. E que o seu passado político ficará na história, sim, mas na secção do anedotário.