sexta-feira, fevereiro 04, 2005

O carnaval mais longo das nossas vidas

Não tendo do debate assistido a muito mais que as declarações finais de cada um dos oponentes, não só não votei (bom, a verdade é que não o faria em qualquer circunstância) na dita consulta da SIC, como não posso, por razões óbvias, ter qualquer veredicto sobre o combate. Exceptuando as citadas declarações (em que Sócrates me pareceu muito mais forte que Santana), fiquei-me então pelos comentários do painel da SIC Notícias, onde para além do ignóbil (*) Delgado, não houve mais ninguém que se pronunciasse pela vitória do ainda (mas só faltam 16 dias) primeiro-ministro. Até prova em contrário, valem-me pois estas opiniões.

Quanto ao resto do que vi, a coisa parece-me quase inacreditável. Desde a flash-interview na sala de (des)caracterização à entrevista no exterior a um senhor que não percebi quem era, mas que comentou a performance televisiva de Santana como não tendo sido uma das suas melhores, tudo se assemelhou fielmente às insuportáveis coberturas televisivas de um qualquer Sporting-Benfica ou Benfica-Porto ou qualquer outro evento futebolístico de mediatismo equivalente. Melhor que isto só mesmo a entrevista que o ex-ex-futebolista Jorge Cadete deu à saída do curral da Venda do Pinheiro. Perante uma multidão de desempregados mentais de longa duração vítima de um ataque de histeria sincronizada, e em resposta à pergunta do rapazola que por lá andava de microfone na mão sobre o que pensava ele daquilo (da reacção ululante da multidão à sua saída), Cadete considerou que tal se devia à sua boa prestação dentro da casa...

Pois. É mais ou menos a mesma coisa. Os protagonistas é que não são tão broncos. Ups... Sem querer, acabei de fazer, pela primeira vez na vida, um elogio a Santana Lopes. Mas, pronto. Siga. As verdades são para se dizer. Repita-se, para que não restem dúvidas. Santana Lopes não é tão bronco quanto Jorge Cadete. É menos bronco que Jorge Cadete. Digamos que Jorge Cadete é muito bronco, enquanto Santana é apenas bronco. Pronto. Está dito.

Bom. E com isto perdi-me no meu raciocínio. Onde é que eu ia? Estava a falar de caracterização? Ou de descaracterização? De política ou de circo? De debate ou de arraial? Bolas. Já não me lembro...

Maldita folia que nos come o pensamento...

(*) Eu sei que é feio, desagradável e pouco ético insultar os outros desta forma, mas este adjectivo e o nome próprio que se lhe segue são foneticamente tão compatíveis que não o consegui evitar. Além disso, está perfeitamente em conssonância com o estilo da época.