segunda-feira, março 28, 2005

Só para dizer

que estou vivo... e que voltarei por um destes dias.

terça-feira, março 22, 2005

O sindroma de segunda-feira

Há já algum tempo que não tinha um dia de folga. Tive-o ontem (se exceptuar uma horinha em que fui ao escritório adiantar umas coisitas - mas isso não conta) e o resto do dia que ocupei em investigações para um outro projecto. Ok. Não foi bem uma folga, mas dadas as circunstâncias actuais da minha vida, posso dizer que foi um dia descansado. O problema é que hoje acordei absolutamente intratável. E assim continuo.

Eu não disse nada

«...(lá terei os parvos do País a dizer que estou a dar graxa ao Governo...)»

Será que pensar também conta?

Adenda: O que mais me delicia em Luís Delgado, devo dizer, é que em tudo ele lembra o aluno engraxador. Até na forma como se refere aos seus detractores. São os parvos.... Que mais dizer? É genial!

A hirta mola de Paulo Portas

A natureza própria é como uma mola. Podemos, com objectivos tácticos, dobrá-la, apertá-la ou distendê-la como um harmónio. Mas, tarde ou cedo, ela recuperará a sua posição original, a sua posição natural. Depois do inqualificável episódio da fotografia, se dúvidas restassem quanto ao idiota de tal façanha, foram desfeitas pelo soez ataque que Portas dirigiu a Freitas no Parlamento. Portas não é nem nunca poderia ser um estadista responsável, não por lhe faltarem dotes oratórios ou inteligência política, mas porque a sua natureza mantém-se inalterável desde os tempos em que dirigiu O Independente. O que o seu comportamento de então e o de agora revelam é que toda a sua manobra política no entremeio de ambas é meramente táctica, manifeste-se ela pelo boné das feiras ou pelos ares cinzentões da pose de estado. Afastado de objectivos políticos a curto prazo, Portas não resiste à blague, à baixa política, à ofensa pessoal para denegrir e vilipendiar os seus adversários. No fim de contas, Portas, como Santana, é uma fraude, divergindo deste apenas por ser mais inteligente, assim conseguindo manter-se à tona de água mesmo que à sua volta já só haja lodo. Mas a inteligência por si só não chega para ocultar o edipiano instinto de matar o pai. E é aqui que Portas revela toda a sua fraqueza. Toda a fragilidade da sua personalidade. Ou toda a força que mantém a sua mola esticada.

sábado, março 19, 2005

O Pequeno Herói continua a mexer

Hoje voltou a haver histórias e amanhã há mais. É escusado dizer que não é um negócio fácil, que exige muita dedicação, muito trabalho e, sobretudo, muita imaginação. Mas que é entusiasmante, é. Neste aspecto particular, e não obstante os dias em que, desgraçadamente, o receio me assalta, devo dizer que as minhas melhores expectativas estão a ser superadas.
Mais detalhes sobre a nova livraria da Graça, aqui.

sexta-feira, março 18, 2005

Lost in Translation

Há coisas que durante anos nos enervam, nos irritam, nos confrangem, nos levam ao desejo adolescente de fazer uma revolução que, de ontem para hoje, acabe com elas e com todas as outras que como essas nos eriçam o pêlo de susceptibilidade e de hiper-sensibilidade perante a ignomínia que se atenta contra a inteligência. E durante anos calamo-las, nem sabemos bem porquê. Talvez por esta indulgência de se ser português, esta passividade com que observamos a realidade que nos circunda, como se não nos pertencesse. Seja pelo que for, a verdade é que, muitas vezes, os anos vão passando e nós, de tão habituados a conviver com uma realidade gritantemente absurda, acabamos por aceitá-la, resmungando contra ela alguns grunhidos privados, mas não mais que isso. Quando a estupidez nos envolve e nos abraça, nós já nem nos damos ao trabalho de lhe mostrar a nossa repulsa, encolhemo-nos apenas e escapamo-nos sorrateiramente ao seu abraço com qualquer fútil pretexto que dela momentaneamente nos desvie a atenção. Até que um dia, alguém ousa dar um grito à nudez do rei e nos acorda deste tão longo entorpecimento, não da razão, mas da capacidade de a afirmar. Alguém que diz o que sempre pensámos com a maior das revoltas. Que quem quer que seja que traduz para português os títulos dos filmes estrangeiros exibidos no nosso país deve ser imediata, irreversivel e metaforicamente fuzilado! Amen!

quarta-feira, março 16, 2005

O Papa voltou a surpreender os fiéis.

Veio à varanda. Os infiéis como eu já só se surpreendem por isto ser notícia.

A necessidade de ocupar o tempo (*)

Devo dizer qualquer coisa para que no silêncio não morra este pedaço de tempo. Pena é que mais não me ocorra do que ocupá-lo com a própria necessidade de o ocupar. E assim o ocupando me aperceba da absoluta desnecessidade de o fazer. Por outro lado, tal ocupação desnecessária acaba por me remeter para outra necessidade, essa sim, de súbito tornada importante. Falo da necessidade que sinto em ocupar um tempo que não necessitava de ocupação. E acabo por descobrir que, afinal, o tempo, este meu tempo precisava de ser ocupado para nessa ocupação eu descobrir a necessidade que, sem eu o saber, me ocupava. Enfim, ocupou-se o tempo, desocupei-me eu.

(*) Para que não se pense que este blogue, que como se sabe é individual, é um produto despótico de algum ego tirano que não deixa margem para incursões de outros egos, sejam eles agradavelmente saudáveis ou obscuramente doentios, aqui se transcreve na íntegra uma posta restante dos despojos que na oposição se acumulam. Até porque naqueles lados as coisas andam meio mortiças, tanto em produção como em recepção. É verdade que aqui também a coisa não vai brilhante, mas pelo menos, não só se vai conseguindo publicar com alguma regularidade como, graças aos meus muito estimáveis, estimados e pacientes leitores, se vai logrando ter mais que uma visita diária, coisa que ali, manifestamente, não se tem conseguido.

segunda-feira, março 14, 2005

Pero que las hay...

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Não havia necessidade

Parece que Santana voltou à Câmara de Lisboa, quando faltam cerca de cinco meses para o fim do seu mandato. Será assim tão importante para o executivo camarário o seu regresso, ou será apenas importante para si? Escusado será dizer que, depois dos últimos resultados eleitorais, tendo vergonha e - já agora - uma réstia de dignidade, Santana se remeteria a um período de nojo antes de assumir qualquer cargo político, ainda que a ele tenha direito. Este seu regresso será evidentemente caricaturizado e é bem feito que o seja. Como já aqui anteriormente escrevi, Santana não merece mais que uma página no anedotário da nossa história política. Só é pena que nós, os lisboetas, ainda tenhamos que o tolerar durante mais algum tempo à frente do município.

sábado, março 12, 2005

Uma estratégia mundial de combate ao terrorismo

«Afirmemos claramente que qualquer acção que vise causar a morte ou provocar danos corporais graves a civis ou não combatentes, com o objectivo de intimidar uma população ou obrigar um governo ou uma organização internacional a fazer ou deixar de fazer alguma coisa, é uma forma de terrorismo.»

E ainda:

«[D]efender os direitos humanos e o primado do direito. O terrorismo é um ataque directo a estes valores fundamentais. Por conseguinte, não devemos sacrificá-los, quando respondemos a acções terroristas. Se o fizermos, estaremos a dar uma vitória aos terroristas. A defesa dos direitos humanos não é apenas compatível com uma estratégia antiterrorismo bem sucedida. É um elemento essencial dessa estratégia.»

(Kofi Annan)

Vale a pena ler o resto. E vale a pena respeitar e valorizar a ONU. É nela que se podem materializar os consensos mais alargados para a defesa dos direitos humanos e da paz mundial. É nela que melhor se podem aplicar os direitos democráticos a nível global. Fazê-lo é, decerto, mais trabalhoso que largar bombas sobre Bagdad. Mas também é verdade que muitas vezes os caminhos mais fáceis são, não só os mais indignos, mas também os mais falaciosos.

quinta-feira, março 10, 2005

Duas americanas em Lisboa

Trabalhar numa livraria na Graça é particularmente engraçado. Por muitas razões. Porque o bairro consegue ser simultaneamente cosmopolita e tradicional, porque as pessoas, regra geral, são afáveis e porque a área de actividade em si tende a atrair pessoas interessantes.
Hoje entrou-me uma americana de meia idade, não uma nem duas, mas três vezes, na livraria, a última das quais acompanhada de uma sua compatriota um pouco mais velha. Embora eu não tivesse o que ela procurava inicialmente (o Fernando que aparece estampado em t-shirts nas lojas de souvenirs, mas editado em livro e em edição inglesa - e que era, claro, o Fernando Pessoa), conversámos longamente sobre diversos assuntos. Falei-lhe de Lisboa, da Graça, da história do Botequim e ela revelou-me que Portugal está na moda nos States, enquanto destino turístico e que pensava seriamente na hipótese de viver em Portugal durante um ano (hipótese que, aparentemente, tinha apenas como contra-indicador a dificuldade da língua). Por fim, quando quase nos preparávamos para nos despedir, ela resolve-se a perguntar o que penso eu de Bush. Eu sorrio e pergunto-lhe se ela quer mesmo ouvir a resposta, ao que ela responde peremptoriamente que sim. Matreiramente, digo-lhe que lhe darei uma resposta diplomática: que preferia Kerry. Não era preciso. A amiga já me perguntava se eu achava o presidente norte-americano retarded. Enfim, a Veronika (nome da primeira americana) procura esclarecer-me que muitos americanos, incluindo elas, não tinham votado em Bush. Como que pedindo desculpa. Eu, evidentemente, libertei-as de imediato de qualquer responsabilidade. Poderia ter falado de Santana, mas não seria um bom exemplo, porque este não foi eleito. Limitei-me a dizer que conhecia os resultados das eleições e que sabia que há muitos americanos que não se reveêm de todo na Administração republicana. Mas, no fim, ficou-me uma pincelada de tristeza na alma. Não muita nem por muito. Apenas por ver duas cidadãs americanas com vergonha do seu país. Ou talvez não só por isso. Talvez, ainda mais que isso, por ver três cidadãos do mundo, eu incluído, com vergonha dele, do mundo.

A fome e a fartura

Diz o povo que não há fome que não dê em fartura. Difícil, claro, é dizer se este dito se inspira em alguma realidade ancestralmente comprovada, ou antes na cega esperança com que, subtilmente, se vai enganando as agruras da vida. Abstendo-me, por agora, de tomar posição por uma ou outra, limito-me a evocar o ditado para sublinhar a profusão de textos que por estes minutos se têm publicado neste blogue. E faço-o, obviamente, porque aqui vai mais um. Já a seguir.

O finório que não há maneira de se finar

Não se pense que o que norteia aquilo que se segue é algum do gozo com que nós portugueses habitualmente escarnecemos dos que provindos do meio de nós, ascendem a posições altamente respeitáveis, ou mesmo invejáveis. Não, não se trata de nada disso. Não me tomando por modelo de virtude, nem sequer me considerando isento de em más horas ser também tomado por sentimentos de inveja, é de forma completamente desapaixonada que me sinto impelido a linkar para esta posta. É que o sujeito em questão e objecto daquela e desta posta é a mais perfeita prova de que cá, como lá fora, por tortuosos caminhos que nem ouso compreender, a mediocridade está com uma cotação incomportável. Resumindo e esclarecendo, Durão Barroso não passa de um Panhonha Vergonhoso, ou, se quiserem ver a coisa num vernáculo menos eufemístico, uma Puta Fina. Irreversivelmente Português e convictamente Europeísta que sou, só me resta acrescentar que das duas condições, por vezes, me envergonho.

O estado deste blogue

Em banho maria. Desculpem-me os que ainda se dão ao trabalho de me virem visitar diariamente, mas outros afazeres impedem-me, de momento, de actualizar A Nódoa com a regularidade e com a acutilância que desejaria. Não é o caso de não dispor de alguns minutos para escrever e publicar qualquer coisa. É, isso sim, a falta de disponibilidade para pensar em algo que seja realmente publicável. E como acredito que mais vale estar calado que dizer baboseiras sem interesse (ainda que por vezes elas aqui se publiquem, é um facto, mas enfim, todos nós temos as nossas fraquezas e os nossos momentos de indigência intelectual), por agora nada mais vai do que este pensamento meta-bloguístico (de repente e a propósito desta ida do pensamento, lembrei-me de uma pequena rubrica que Pacheco Pereira gosta de colocar no Abrupto intitulada, se não me falha a memória, Grandes Nomes e também de um título que o mesmo deu a um seu livro - Vai, Pensamento - um título que sempre julguei e ainda julgo como, não um pequeno, mas um péssimo nome). Mas, como as mais elementares necessidades humanas, a indigência intelectual, em algum momento, a todos toca e isso em nada desmerece aqueles que comprovadamente são possuidores de uma inteligência acima da média. Não que eu me arrogue de tal nem me queira comparar a quem, mas, bolas, apraz-me saber que a falta de inspiração não é um exclusivo da minha humilde pessoa.

terça-feira, março 08, 2005

Mulher

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Os prosaicos caminhos da vida

Admito que gosto de trabalhar. Gosto da sensação de ter um rol interminável de coisas para fazer e de não dispôr de tempo suficiente para esvaziá-las todas. De saber que amanhã, quando acordar, me aguarda mais uma maratona infindável de tarefas e que no dia seguinte acontecerá o mesmo.
No entanto, esta azáfama tem uma contra-indicação grave. Falta-me o tempo para ler. Para ir ao cinema. Para pensar. Para sonhar. Para escrever. E esse é o maior risco que enfrento. O de estar tão embrulhado em coisas práticas, que me esqueça ou me perca dos caminhos românticos da vida.

domingo, março 06, 2005

A função social de Margarida Rebelo Pinto

Ouvi a Margarida Rebelo Pinto na televisão dizer qualquer coisa como isto:

Os miúdos que vão para a faculdade pouco diferem dos analfabetos... Não estão preparados para pensar... Os livros ajudam as pessoas a pensar. (resumo feito de memória)

Percebo enfim a enormíssima função social da MRP. Os seus livros, por um lado, servem para alfabetizar os miúdos que vão para a faculdade sem saber ler nem escrever. São como que um livro de leitura da primeira classe para retardatários. Por outro lado, ainda os ajudam a pensar em coisas do tipo... sei lá... coisas do género... pá... tipo... a vida é do caraças, tás a ver?... Não há coincidências, percebes? Isto na vida somos todos uns artistas de circo, domas? É como ter alma de pássaro... Prontos. É isso, pá... Muita leve, meu... muita... muito fora... muito fora... Dá que pensar, não achas?...

sábado, março 05, 2005

O sobrevivente

Santana caiu, Portas caiu, a coligação de direita caiu. Não poderá o Delgado cair também?

O governo, o governo...

Aí está ele. Sem Vitorino (com tudo o que isso para mim significa), sem Constâncio (mas neste só mesmo a TVI acreditava), com António Costa, Mariano Gago, Freitas do Amaral e alguns ilustres desconhecidos (pelo menos para mim). Não sei o que pensar, muito menos o que dizer. Espero para ver...

sexta-feira, março 04, 2005

Já mexe

Está já marcada para dia 12 (sábado) a primeira sessão de histórias para os pequenos heróis e as pequenas heroínas. Mais informações aqui.

quinta-feira, março 03, 2005

Blogger passivo (*)

Sem disponibilidade para alinhavar um texto que valha minimamente a pena ler, nestes dias de azáfama pouco mais me resta do que destacar os que por aí leio. É o caso deste.

(*) OK. É verdade que este título se presta a algumas piadinhas óbvias, mas, por isso mesmo, não vale a pena...

Existe e eu ainda não tinha dado por ele

Ele há blogues que estranhamente ainda não fazem parte do meu circuito diário nem da minha lista ali à direita. O ...blogo existo é um deles. Felizmente estou sempre a tempo de corrigir estas estranhezas. E, já agora, no âmbito de uma polémica que por aí anda, de destacar um dos seus mais valiosos contributos.

quarta-feira, março 02, 2005

A escolha de Vitorino

A confirmar-se esta notícia, ela constitui seguramente mais uma machadada na credibilidade da classe política. Não quero com isto dizer que António Vitorino não seja livre de tomar as opções que bem entender na sua vida pessoal e profissional, mas o facto de ter sido ele a elaborar o programa eleitoral do PS e de aparecer aos Portugueses que deram ao PS a maioria absoluta, deliberadamente ou não, como um dos principais motivos para entregar àquele partido o seu voto, limita-lhe as suas escolhas. Vitorino deu a cara por este projecto do PS e, como tal, deve assumir responsabilidades governativas. Ao não fazê-lo, estará a juntar-se ao clube de Barroso e Guterres, ao dos que abandonam o barco quando as dificuldades apertam e, muito concretamente, verá a sua postura associada àquela que teve o actual Presidente da Comissão Europeia, quando deixou o governo nacional para seguir as suas ambições pessoais. Ou seja, o significado que esta escolha teria para os Portugueses seria o de terem sido vítimas de um enorme logro. E o de verificarem (mais uma vez) que não vale a pena votar nos partidos do arco governativo, porque, no fim de contas, os políticos mais valorosos que se situam na esfera desses partidos acabam, inapelavelmente, por não querer assumir responsabilidades governativas. Esperemos que o governo de «salvação nacional» não se transforme em mais um governo de «descrédito nacional».

terça-feira, março 01, 2005

Brrrr!

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Humor na blogosfera

Sem mudar uma vírgula

Subescrevo este artigo. Felizmente, nem todos os historiadores estão tão ideologicamente condicionados quanto Rui Ramos.