terça-feira, abril 05, 2005

À procura da imaginação

«Numa tarde pachorrenta, estando eu entrgue ao tédio, a minha imaginação, aparentemente aborrecida por ser ignorada, tirou férias – e nunca mais voltou. Tinha perdido aquilo a que o poeta Worsworth chamava o “olho esquecido”. Ou o perdi, ou ficou esquecido algures no mundo natural.
Que havia eu, um artista de fazer? Como havia eu de trabalhar, de pintar de viver?
Tentei agarrar-me a uns fiapos de memória, mas não eram suficientes. A memória é um chapéu velho; a imaginação é um par de sapatos novos. Tendo perdido os sapatos novos, que resta senão partir à sua procura?»

(J. Patrick Lewis/Roberto Innocenti, in O Último Hotel )

1 Comments:

Blogger Rita said...

Viver no passado ou para o passado não faz qualquer sentido e pode ser doentio ou até incapacitante.

Agora viver sem memória é outra coisa...

A memória é útil: sem ela seria impossível integrarmos no nosso presente aquilo que aprendemos de novo.

Quanto à imaginação... só conheço uma maneira de a procurar: dentro de nós.

12:21 da manhã  

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